Intercâmbio técnico buscou fortalecer a preparação diante de riscos envolvendo barragens
Representantes de instituições públicas, comunidades indígenas e bombeiros do Equador realizaram uma visita técnica ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) com o objetivo de conhecer a experiência da corporação na resposta aos rompimentos de barragens em Brumadinho e Mariana.
A iniciativa integrou as ações do projeto internacional ComUnitar, desenvolvido pelas organizações Agronomes et Vétérinaires Sans Frontières (AVSF) e Protos Andes, com financiamento da União Europeia e apoio da Secretaria Nacional de Gestão de Riscos do Equador. O projeto buscou fortalecer a capacidade de preparação e resposta das comunidades amazônicas Shuar e Kichwa diante dos riscos relacionados à atividade minerária no complexo Mirador, localizado na província de Zamora Chinchipe.
A escolha de Minas Gerais como referência ocorreu em razão da experiência acumulada pelo CBMMG em uma das maiores operações de busca, salvamento e resposta a desastre da história do país. Desde o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em 2019, a corporação passou a desenvolver protocolos, metodologias operacionais e estratégias integradas de atuação que se tornaram referência nacional e internacional em gestão de desastres tecnológicos envolvendo mineração.
Ao longo da visita, foram realizadas atividades de reconhecimento das práticas operacionais e de gestão empregadas nos desastres de Mariana e Brumadinho, permitindo aos visitantes compreenderem a estrutura de comando e controle utilizada pelo CBMMG, além da dinâmica de atuação em operações prolongadas de busca, salvamento e gerenciamento de áreas afetadas.
A programação também incluiu apresentações das companhias especializadas da corporação, com exposição de equipamentos, materiais e recursos empregados em operações de desastre, demonstrando a capacidade técnica e operacional desenvolvida pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais ao longo dos últimos anos.
Como parte do intercâmbio, a delegação, que contou com 15 integrantes, ainda visitou o Memorial Nunca Esqueceremos, localizado na Academia de Bombeiros Militar (ABM), espaço dedicado à preservação da memória das vítimas e ao reconhecimento da atuação dos militares envolvidos nas operações de resposta aos desastres.
A comitiva equatoriana foi composta por representantes da Secretaria Nacional de Gestão de Riscos do Equador, autoridades municipais, lideranças indígenas amazônicas e integrantes dos Corpos de Bombeiros dos cantões de Gualaquiza e El Pangui, regiões onde a mineração em grande escala vem sendo implantada recentemente.
O intercâmbio reforçou o reconhecimento internacional da expertise desenvolvida pelo CBMMG em operações complexas de desastre e evidenciou a importância da cooperação entre países na construção de estratégias voltadas à proteção da vida, à prevenção de riscos e à preparação das comunidades diante de emergências de grande magnitude.