Entre os dias 6 e 12 de abril, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais participou do Intercâmbio de Manejo Integrado do Fogo (MIF) realizado no Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas (MG). A iniciativa foi promovida pelo Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, reunindo instituições de referência na gestão ambiental e no combate a incêndios florestais de diversas regiões do país.

Participaram do intercâmbio representantes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de São Paulo, da Fundação Florestal do Estado de São Paulo, do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, da SOS Pantanal, do Instituto Estadual de Florestas com representantes de diversos parques estaduais, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia, além de analistas ambientais e brigadistas do ICMBio atuantes em parques nacionais de diferentes biomas brasileiros.

A semana teve início no auditório do Parque Nacional da Serra da Canastra, onde a equipe gestora apresentou a estratégia adotada para o Manejo Integrado do Fogo no território. O modelo implementado baseia-se na formação de mosaicos de queima, conectando áreas que já incendiaram com áreas submetidas à queima prescrita, promovendo a fragmentação estratégica da vegetação e a redução da continuidade do material combustível.

Após o nivelamento teórico, as equipes avançaram para as atividades práticas, realizando queimas prescritas em áreas previamente planejadas no interior do parque. As ações foram executadas dentro dos critérios técnicos rigorosos, considerando variáveis meteorológicas, topográficas e características da vegetação local, garantindo segurança operacional e efetividade ecológica.

Manejo Integrado do Fogo: ciência, estratégia e tradição

O MIF é uma abordagem que reconhece o fogo como um fenômeno ecológico natural e, em biomas como o Cerrado, um elemento estruturante da paisagem. A estratégia integra prevenção, planejamento, uso técnico e controlado do fogo, monitoramento e combate qualificado, superando a visão exclusivamente repressiva dos incêndios florestais.

Na Serra da Canastra, essa estratégia ganha um diferencial importante: a integração com as comunidades tradicionais que vivem no território. A região é reconhecida nacionalmente pela produção do tradicional Queijo Canastra, patrimônio cultural e econômico do estado, fruto do trabalho histórico dos produtores locais, os chamados “canastreiros”.

O MIF desenvolvido na região considera a vivência e o conhecimento empírico desses produtores rurais, que há gerações manejam a paisagem, compreendendo os ciclos do fogo, da vegetação e das estações. Ao dar voz à sabedoria popular e promover o diálogo entre ciência e tradição, o manejo torna-se mais eficiente, legítimo e adaptado à realidade local.

Importância ecológica e social

Nas Unidades de Conservação, o Manejo Integrado do Fogo contribui para:

Redução do risco de incêndios de grande intensidade;

Proteção da biodiversidade e de áreas sensíveis;

Estímulo à regeneração de espécies adaptadas ao fogo;

Gestão estratégica da carga de combustível vegetal;

Maior segurança para comunidades do entorno e produtores rurais;

Fortalecimento do diálogo entre órgãos ambientais e população tradicional.

A experiência na Serra da Canastra evidenciou que a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável caminham juntos. A integração entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e comunidades tradicionais fortalece a governança do território e amplia a eficiência das ações preventivas.

A participação do CBMMG reafirma o compromisso da Corporação com a inovação técnica, a atuação preventiva e a preservação do patrimônio ambiental mineiro, alinhando conhecimento científico, experiência operacional e respeito à cultura e à história do povo da Canastra.