Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) integra a delegação brasileira que acompanha, nesta semana, o exercício de classificação internacional da equipe ECU-01, do Corpo de Bombeiros de Quito. A participação da comitiva na condição de observadores foi viabilizada pela ação diplomática da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Sob a chancela do INSARAG (International Search and Rescue Advisory Group), órgão vinculado à ONU, o evento é um marco técnico para as operações de busca e resgate em estruturas colapsadas em todo o mundo.

A comitiva nacional, composta além do CBMMG, por militares do Paraná (CBMPR) e São Paulo (CBPMESP), atua como observadora estratégica. O objetivo central é absorver a rigorosa metodologia de classificação internacional, consolidando conhecimentos técnicos que subsidiarão o processo de certificação da equipe brasileira, previsto para ocorrer em 2028.

Imersão Técnica e Estrutura Operacional
Nesta fase inicial do intercâmbio, os militares participaram de recepções institucionais no Comando de Quito, onde foram apresentados os critérios de organização do exercício e a complexa estrutura de controle operacional. A programação incluiu vistorias técnicas a pontos cruciais da operação:

- Sede Logística: Análise da mobilização de equipamentos e autonomia das equipes;
- Sítios de Trabalho: Reconhecimento das áreas onde ocorrerão as simulações de resgate;
- EXCON (Exercício de Controle): Visita ao centro de comando instalado na Academia de Bombeiros de Quito.

Logística e Mobilização: A Precisão no Primeiro Atendimento
As atividades do segundo dia concentraram-se no depósito logístico de Llano Grande, onde os militares brasileiros observaram a complexa engrenagem de mobilização de uma equipe de elite. Foram auditados processos críticos de gestão de pessoal, logística de materiais e briefing de deslocamento.

Simulação de Fronteiras e Coordenação Internacional
Um dos pontos altos do dia foi a simulação do deslocamento internacional e a montagem do RDC (Reception/Departure Centre). Na metodologia INSARAG, o RDC é a estrutura vital de recepção, registro e coordenação inicial de equipes estrangeiras em um país afetado. A delegação brasileira acompanhou de perto como a equipe equatoriana gerencia a entrada de recursos e a integração com o comando local, garantindo que o socorro chegue de forma ordenada.

Início das Operações em Estruturas Colapsadas
Ao final do dia, o cenário mudou para a área operacional de Quitumbe. A delegação acompanhou o início tático das atividades de busca e resgate nos sítios de trabalho. Neste ambiente, a equipe ECU-01 passou a atuar em cenários de estruturas colapsadas, onde são testadas a resistência física, o emprego de ferramentas de corte e rompimento, e as técnicas de localização de vítimas sob escombros.

Rumo à Certificação 2028
A presença do CBMMG no Equador reafirma o compromisso da corporação com o aprimoramento contínuo em desastres de grande magnitude. A classificação INSARAG é o selo de qualidade máximo para equipes de resgate, permitindo que os países certificados atuem em missões humanitárias internacionais com total interoperabilidade.

“Participar deste processo como observador é uma etapa crítica da nossa preparação. Estamos refinando nossos protocolos internos para garantir que, em 2028, o Brasil alcance esse patamar de excelência, elevando a segurança e a capacidade de resposta não apenas em Minas, mas em âmbito global”, o coronel BM Moisés Magalhães de Sousa, chefe do Estado-Maior e subcomandante-geral do CBMMG, presente na delegação.

A agenda segue com a fase prática do exercício, onde os avaliadores internacionais analisarão a proficiência técnica, a coordenação logística e a resistência operacional dos bombeiros equatorianos em simulações de cenários de estruturas colapsadas.